Neste ano, o evento tem como proposta fomentar o debate sobre o jornalismo no contexto de crises

Profª Graziela Bianchi coordenou a mesa de abertura, que teve a palestra com o Prof. Frederico Tavares, da UFOP

Começou nesta segunda-feira, 15, a XXV Semana de Estudos em Comunicação, que traz como tema o Jornalismo em Contexto de Crises. O primeiro dia de palestras teve a fala do Professor Dr. Frederico de Mello Brandão Tavares, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), que, partindo do significado do termo “crise”, colocou em debate os sentidos estabelecidos pela mídia hegemônica e as possibilidades de fazer jornalismo neste contexto.

 

Frederico apresentou um trabalho no qual a crise no jornalismo é vista como algo que ultrapassa as consequências da crise, notadamente as demissões de quadro de funcionários na imprensa, a eliminação de cargos, além do fechamento de revistas, jornais e diminuição de tiragens.

“O fato de que se têm outras crises nessa conjuntura, crises de representação e valores também contribui para a crise no jornalismo, principalmente na ética da produção noticiosa”, afirma Frederico.

 Num segundo momento da palestra, o professor trouxe como exemplo a sua experiência na produção jornalística da UFOP, com as revistas Lampião e Coringa.

 Falou, em especial, sobre as edições dessas revistas dedicadas à cobertura da tragédia ocasionada pelo rompimento das barragens em Bento Rodrigues/MG, em novembro de 2015.

 “Essas edições tiveram repercussão maior. Dedicar uma cobertura especial para uma catástrofe ambiental criminosa nos trouxe experiências emocionantes”, diz.

Dessa experiência surgiu outra publicação, A Sirene, que é produzida pelos atingidos pelos 62 milhões de metros cúbicos de lama que a Samarco, mineradora responsável pelo rompimento da barragem, despejou na região de Mariana/MG.

 

Objetivos atingidos
“Normalmente a gente só sabe criticar o trabalho dos grandes meios, mas não sabe como escapar disso, acho que a fala ajudou bastante nesse sentido”, ressalta o  aluno do 3ºano de jornalismo, Lauro Alexandre, que assistiu a palestra de abertura do evento.

Lauro conta também que, na palestra, um dos meios apresentados que mais chamou a atenção dele foi a internet: “A Internet [é usada] quando o jornalismo abre espaço para as histórias de pessoas que não têm espaço na mídia tradicional”, explica.

O Coordenador da Comissão Organizadora do evento, prof. Marcelo Bronosky, espera que sejam atendidas as demandas dos alunos em relação à profissão, pois a ideia foi montar um evento sobre o Jornalismo neste momento. Ou seja, “organizar uma agenda de palestras que pudessem dar conta de um debate importante para o Jornalismo que é sobre essa situação de crise nos últimos anos, de instabilidade em relação aos processos éticos, processos de mercado e crises de narrativa”, comenta o professor.

O evento continua até sexta feira, 19/08, com palestras pela manhã, a partir das 09:00, sempre no Pequeno Auditório do Campus Central da UEPG, de acordo com a seguinte programação:

  • Terça, dia 16: Legitimidade editorial do Jornalismo brasileiro, com o palestrante Ciro Marcondes Filho (USP);
  • Quarta, dia 17: Crise no modelo de mercado jornalístico, com José Adalberto Maschio (UEL);
  • Quinta, dia 18: Experiências de jornalismo independente, com Andrea Dip (Agência Pública) e Paula P. Guimarães (Catarinas); e
  • Sexta, dia 19: Experiências de jornalismo colaborativo, com Sérgio Spagnuolo (Aos fatos) e Annelize Tozetto (Revista Vírus).

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