Quatro convidados participaram do debate no segundo dia de palestras do II SEJOC

O Grande Auditório do Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) foi palco de uma discussão sobre internet, jornalismo e cidadania ontem, dia 02/10.

No segundo e último dia do II Seminário de Jornalismo e Cidadania na Hipermídia, quatro debatedores apresentaram visões sobre a web, a comunicação e a reivindicação de direitos: Liliane Brignol, professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Christian Braga, repórter e fotógrafo do coletivo de jornalismo independente Mídia Ninja, João Paulo Mehl, do coletivo Intervozes, e Mauro Carneiro, que participou do Comando de Greve dos Professores do Paraná.

Liliane apresentou pesquisas sobre a representação de migrantes na imprensa. De acordo com a professora, os estrangeiros em situação de vulnerabilidade tendem a ser retratados a partir de estereótipos. “Eles são sempre colocados como os que vêm de fora, como parte da crise migratória, e não como sujeitos”, diz.

Christian Braga, que falou em seguida, apresentou o trabalho que realiza no coletivo Mídia Ninja – grupo independente que ganhou fama mundial ao usar celulares para cobrir os protestos de julho de 2013 com streaming ao vivo das ruas. O repórter, natural de Manaus, frisou que o espírito de colaboração é essencial para desenvolver o jornalismo alternativo, especialmente fora dos grandes centros. “Não precisa de uma redação gigante e de muito dinheiro para fazer coisas boas. Tudo depende de diálogo e cooperação”.

A história dos movimentos da classe dos professores no Paraná foi apresentada por Mauro Carneiro. Ele também expôs as estratégias usadas pelo movimento grevista para aparecerem na agenda da mídia. “Parte do sindicato queria fazer reuniões a portas fechadas no Colégio Regente Feijó. Eu disse que não: poderíamos até fazer no Regente, mas do lado de fora, na rua, com um carro de som”. 

 

Por fim, João Paulo Mehl explorou as dinâmicas dos usos das redes pelos movimentos sociais, mas não sem criticar a concentração da comunicação em algumas poucas plataformas comerciais. “Hoje, o Facebook é o maior gigante da mídia. Me preocupa muito saber que são algoritmos que determinam o que é relevante, e não o interesse das pessoas”. 

Para Vitor Carvalho, estudante do segundo ano do curso de Jornalismo da UEPG, o segundo dia do evento rendeu discussões melhores que a abertura. “Pelo tema proposto, eu esperava palestrantes que abordassem de forma diferente a nova mídia, como fez o Christian, do Mídia Ninja. Alguns ficaram devendo, com falas que às vezes fugiam do evento”.

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