O Departamento de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) vem a público esclarecer o incidente caracterizado, por alguns veículos de comunicação locais, como um ato de “depredação do patrimônio público” realizado por alunos do curso de graduação.

O Centro Acadêmico João do Rio (Cajor) promoveu, de 27 a 29 de junho, a XI Semana de Integração e Resistência. O evento integra a história de 30 anos do curso de graduação como um espaço de discussão de questões políticas e sociais relacionadas à prática do jornalismo. A temática deste ano foi “Direitos Humanos, Resistência e Jornalismo”.

Em sua décima primeira versão, o evento contou com painéis de debate, no período da manhã, e oficinas, no período da tarde. Os painelistas e oficineiros foram convidados a contribuir com a Semana de Integração e Resistência pela atuação destes, no âmbito profissional e estudantil, em iniciativas relacionadas à temática do evento.

No período da tarde de terça-feira, dia 27, foi realizada a oficina de estêncil, que foi inserida no evento, por ser considerada uma importante forma de expressão artística. Ao final da atividade, os participantes, alunos do primeiro ano do curso de jornalismo, junto ao convidado responsável pela oficina, Sid Ácrata, aplicaram várias imagens em estêncil na fachada e nas escadas de acesso ao prédio do Campus Central da UEPG.

O presidente do Cajor, Gustavo Ban, se pronunciou em relação à forma como alguns veículos de comunicação se referiram aos estudantes. “Adjetivar os alunos como depredadores foi pesado, mas que o fato sirva de exemplo para todos e todas alunos/as da universidade que escrevem nas carteiras, nas portas de banheiros ou que deixam suas assinaturas e declarações”, destacou.

“O objetivo da oficina era de ensinar a técnica do estêncil, considerando que a técnica, simples, proporciona tanto uma forma de comunicação, quanto de decoração”, esclareceu Gustavo Ban.

Um dos participantes da oficina, o estudante do primeiro ano Renan Sedorko, explica que, durante a oficina, os alunos estavam fazendo as artes no jornal e um dos integrantes acabou pintando o chão e as paredes. Para ele, a falta de espaços para expressões artísticas pode ter sido um dos motivos que gerou o incidente. “Falta um espaço até mesmo de convivência”, comenta.

Júlio Cézar Prado, estudante do primeiro ano de jornalismo, também se manifestou sobre o assunto. “A gente não tinha conhecimento do que poderia ou não fazer. Não fizemos com a intenção de pichar”, ressaltou.

Para a coordenadora do Curso de Jornalismo, Maria Lúcia Becker, é preciso considerar que “são alunos do primeiro ano e não têm noção de como se comportar em uma instituição pública”. A professora, e também jornalista, acredita que houve um exagero por parte da mídia ao adjetivar os alunos de jornalismo como 'depredadores'. “Quem divulgou poderia ver que não foi nenhum palavrão. Não dá para caracterizar como vandalismo e nem como depredação. Deve-se tomar cuidado no uso dessas expressões”, avalia.

No dia 28 de junho, houve uma reunião entre representantes do curso de Jornalismo e a vice-reitoria da UEPG, Gisele Alves de Sá Quimelli. O objetivo foi discutir a criação de espaços de convivência. “Foi sugerido, pela vice-reitora, um espaço independente de arte, espaço que os alunos poderiam usar e que não prejudicassem o espaço público”, diz.

A chefe do Departamento de Jornalismo (DeJor), a professora Cíntia Xavier, que esteve presente à reunião, defende que a oficina de estêncil é importante para mostrar aos alunos essa arte e a importância de vivermos em um mundo com liberdade de expressão. “Houve um excesso, mas uma coisa que se precisa deixar bem claro é que o DeJor defende a existência da oficina, que é necessária e importante para entender o estêncil e estes formatos”, afirmou Xavier.

            Os participantes da oficina foram convocados pelo DeJor e pelo Cajor para realizarem a limpeza para retirada das imagens de estêncil da fachada e das escadas do prédio realizada na manhã do dia 28. O Cajor assumiu a reparação dos danos e espera a liberação da Prefeitura do Campus da UEPG para realizar uma nova pintura.

            O Centro Acadêmico espera que os alunos no geral não sejam adjetivados como depredadores do patrimônio público e que as informações sejam checadas corretamente antes de serem veiculadas. “A utilização do termo depredação foi exagerada, pois condenou os alunos envolvidos sem antes consultar a Reitoria da UEPG, assim como o Departamento de Jornalismo e o Centro Acadêmico. A função do jornalismo é informar e não condenar, mesmo em situações adversas, como se verifica nesse caso”, conclui Gustavo Ban.

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